segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Daniel Meyer

A Ultramaratona Brasil 135 é um das 3 provas que fazem parte da copa do mundo de corridas de 217km em ambientes extremos (deserto, gelo e montanha). Com uma distância de 135 Milhas (217 Km) a serem percorridos em até 60 horas a BR 135 Ultra é considerada a corrida mais difícil do Brasil e uma das mais difíceis do mundo. Toda realizada nas montanhas da Serra da Mantiqueira no estado de Minas Gerais, esta prova criada pelo ultramaratonista Mario Lacerda em 2005, acontece no trecho de maior dificuldade do Caminho da Fé. O Caminho da Fé é o berço dessa corrida. A BR 135 Ultra nasceu inspirada em conceito e em espírito pela Ultramaratona Badwater (217km), no Vale da Morte, USA.

A BR 135 Ultra é extremamente difícil porque é toda realizada nas montanhas da Serra da Mantiquiera, e apenas 20 dos 217 km de toda a corrida são planos. O atleta ao longo da prova “sobe e desce” um Monte Everest, com um total de mais de 10Kms de altitude acumulada. Foi exatamente nesta encrenca que eu, Daniel Meyer, muito bem amparado pela minha família me meti nos dias 21 e 22 de janeiro. Foi uma experiência ímpar para todos nós. Nesta corrida enfrentei a distância de 217km que por si só já seria um desafio e tanto, mas além da distância, enfrentei também o sol, que castigou sem dó nem piedade, as montanhas, que por vezes pareciam muralhas intransponíveis, a noite, o sono e meu próprio organismo.

Com paciência fui derrotando todas as adversidades que se punham em minha frente e aos poucos fui vencendo o caminho e me tornando um guerreiro pacífico, cada vez mais forte e vibrante. O caminho, ao mesmo tempo que exigia tudo de mim, me retribuia em dobro. E apesar de ter cruzado a linha de chegada muito cansado, me senti poderoso, mais vivo, capaz de vencer desafios ainda maiores.

Concluí a corrida em 37 horas e 13 minutos, tendo dormido apenas 15 minutos durante toda a jornada. Fui o 8º atleta a cruzar a linha de chegada, 57 atletas experientes de diversas nacionalidades largaram, 40 completaram, entre eles, 2 atletas veganos e uma atleta ovo-lacto-vegetariana, 20 atletas concluíram sub 48 horas e apenas 11 sub 40 horas. Antes da corrida eu achava que podia completá-la abaixo das 30 horas e ainda acho! Quem sabe ano que vem? Porque eu voltarei lá todo ano como uma forma de reverenciar a vida e mostrar as pessoas que os veganos são no MÍNIMO tão fortes quanto os onívoros, mas com a vantagem de não terem suas mãos sujas de sangue inocente.

Meus anjos da guarda nesta aventura foram: Werner Meyer (meu pai), Maria Angela Costa (minha mãe), Eloisa Meyer (minha irmã) e Liana dos Santos (minha companheira, também vegana). Eles foram fantásticos!

Um vegano top 10 na corrida mais difícil do Brasil!!! Carne? Leite? Ovos? Não obrigado, sou movido a vegetais! O sangue de animais dóceis e indefesos não me faz bem. E é movido a vegetais, que um dia cruzarei a linha de chegada da Ultramaratona Brasil 135 em 1º lugar, quem sabe até batendo o recorde da prova. Meu combustível é a paz!

“A esmagadora maioria da população mundial consome alimentos de origem animal, isso é um fato. O ser humano não necessita de alimentos de origem animal, isto também é um fato!

Fonte: Vista-se

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