terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Relatos da BR135 - 2011

Por: Renata Jordão

Medo, insegurança, sono, falta de conforto, até então essas eram minhas preocupações até às 8:00 hs da manhã do dia 21 de janeiro de 2011. Estávamos lá, praça central de São João da Boa Vista, “preparados” para dar apoio ao Beto na mais difícil corrida de longa distancia do Brasil – BR 135 Ultramarathon., realizada no Caminho da Fé, em meio a bela Serra da Mantiqueira.

Estávamos cercados de muitos amigos (parceiros de muitas outras ultra maratonas), de alguns atletas estrangeiros, do Seu Antonio Hummel que tinha como apoio apenas uma mochila nas costas e sua alegria contagiante.

Nossos atletas insanos largaram as 8:00horas, foi neste momento que surgia a primeira pergunta, a mesma pergunta que foi repetida de ponto de apoio em ponto de apoio – Qual a próxima cidade ? Quantos quilômetros temos até lá ? Quanto tempo temos ? Foi neste momento que eu percebi que não era apenas o Alberto Peixoto participando da BR, e sim uma equipe formada por Alberto, Renata e Betinho.

Não pude participar do congresso técnico realizado no dia anterior, onde foram passadas informações importantes para a equipe de apoio. Esta foi a primeira edição da BR onde o apoio não pode acompanhar seu atleta pelo caminho da prova. Por medida de segurança a organização da prova proibiu o carro de apoio no caminho da fé, devido as fortes chuvas do mês de janeiro. Esta medida nos protegeu e nos tirou um pouquinho da beleza do percurso e a emoção de acompanhar cada passo dado pelo nosso atleta, e acabou tornando a prova ainda mais dura para os participantes.

Sem mapa, com descrição apenas de Águas da Prata até o Pico do Gavião, sem noção de quantos quilômetros iríamos percorrer de um ponto apoio até o próximo ponto de apoio, saímos, com o desejo de sempre chegar antes do Alberto, poder vê-lo entrar na cidade, tentar perceber neste exato momento, o que ele estaria precisando - hidratação, alimentação, de um sorriso, ou de uma cadeira !!!

Percurso dificílimo, muito sol, muitas pedras pelo caminho, mas também muita beleza, muita emoção de estar fazendo parte daquele momento, muita felicidade ao chegar na próxima igreja a tempo (uma Atéia, que quase chorava de felicidade ao ver a igreja da cidade na sua frente!), e junto com o Beto e o Betinho fui superando todos os meus medos, com força para cuidar de quem ainda tinha alguns quilômetros para chegar onde estávamos. A cada ponto de apoio, as dificuldades para os atletas chegavam ao ponto, de, em alguns momentos ouvir que iriam desistir, passado alguns minutos, já estavam a procura da setinha amarela ...

Crisólia foi para nós apoio, o ponto mais difícil de chegar, de superar o sono, o cansaço, pausa, e nos demos uma hora e meia de descanso, as 2:30 da madrugada de sábado, à espera dos nossos atletas. Acorda moçada, qual a próxima cidade ? E arruma jipe, separa roupa, prepara comida, prepara hidratação, e pé na estrada.

O sol continuo forte durante todo o sabádo, a noite tivemos o percurso mais difícil para nossos atletas, de Tocos do Moji até Estiva ... e para nós muito sono na estrada de Pouso Alegre.

E mais um dia de sol forte no domingo... mas Paraisópolis estava logo ali !!!! Uma chegada dura, vibrante, feliz, todos juntos e inteiros (ou quase) - Alberto, Renata, Betinho, João, Sabine e Cabano. E quem sabe até a próxima !!! A próxima é em Agosto, agora UTMB, e eu não falo Frances.

Um comentário:

Xampa disse...

Belo texto.
Quanto sai uma coisa com esse logo bacana aí?

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