segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Treinamento

Segue artigo de José Carlos da Silva
Educador Físico –pós graduado em fisiologia do Exercício e Ciência do Treinamento Desportivo

"O presente brota do passado como a flor surge da semente”
(G.Lebon)

Desde tempos imemoriais os homens sentem a imperiosa necessidade de medir suas forças. As obras dos artistas da antiguidade retratam um vivo e colorido testemunho desse fato. Dos ginetes assírios até os cavaleiros medievais - passando pelas dançarinas e ginastas egípcios, os atletas gregos e os gladiadores romanos – os homens, no transcorrer dos tempos, se viram sempre dominados por esta tendência de competir e de lutar ; de viver, em uma palavra. Repercute hoje a fama de seu valor e a glória de seus triunfos.
Alguns documentos escritos proporcionam informação sobre as pesadas tarefas que a si mesmos tais homens se impunham, com a finalidade de ficar em boa forma no dia do combate supremo, do torneio ou da competição olímpica. Tanto os atletas que aplicavam em seu corpo massagens de óleo ou se adestravam no pugilato , como os corredores que realizavam pequena marcha preparatória antes da competição, entregavam-se , na realidade, a certas formas de treinamento.
Na linguagem desportiva atual a palavra treinamento vêm adquirindo, lentamente , uma significação vinculada ao desenvolvimento da energia atlética. Esta energia é aptidão que permite, àquele que a tenha desenvolvido , determinada superioridade de execução nos movimentos particulares de um exercício( Boiegey).”Correndo os 110 metros com barreiras preparo-me para o lançamento do peso”.
Popularmente a noção de treinamento equivale ao hábito de rendimento superior do desportista. Todos nós já ouvimos dizer alguma vez: “não posso suplantar o meu rival porque está muito treinado...” No entanto, esta definição é insuficiente; resulta condicionada e excessivamente limitada a uma atividade concreta. Convém levar-se e conta que um homem treinado não necessariamente um atleta especializado. Por exemplo: o membro de um “comando”ou mesmo os soldados pára-quedistas podem estar perfeitamente treinados e, apesar disso, não serem atletas como os que praticam o lançamento de peso ou os 200 metros rasos; por outro lado, um especialista em saltos em altura, capaz de superar 1,90m, pode encontrar-se mais despreparado e continuar sendo, não obstante, um especialista.
O treinamento deve, pois, definir-se num sentido mais amplo.
Boeigey afirma que, fisiologicamente, um organismo treinado é aquele que tem a propriedade de resistir à fadiga. Dentro de tal ordem de idéias fica claro que tanto o organismo do “comando” como o do para-quedista tem maiores probabilidades de resistência ao cansaço que do mal treinado especialista em saltos em altura.
De acordo com Boeigey diremos que um indivíduo treinado é aquele que:
1º Resiste melhor à intoxicação produzida pela fadiga.
Razão: neutralização mais perfeita e eliminação completa de toxinas.
2º Assegura a perfeita conservação muscular, considerando o músculo como elemento transformador de energia.
Razões: nutrição geral bem equilibrada; hematose e circulação ativa
3º Consegue aumentar a massa muscular.
4º Possui coordenação funcional; isto é , maior sinergia.
Razão: o aperfeiçoamento das ordens emitidas pelos centros nervosos.
Em tais condições, o treinamento é a expressão do desenvolvimento completo do organismo, tanto no aspecto fisiológico como no anatômico.
Se um atleta observa estas exigências básicas ,produzem- se nele “a constância do peso corporal, assim como a permanência da força muscular, da agilidade e da flexibilidade”, isto é , a conquista de um estado físico harmonioso. Ao atingir o equilíbrio harmônico o esportista cumpre, pois, um primeiro e importantíssimo objetivo: a aquisição da SAÚDE.
Daí para diante o treinamento em si resulta em algo mais.
Uma vez garantido o equilíbrio físico e harmonioso, torna-se necessário que o atleta obtenha o máximo desenvolvimento de suas possibilidades inatas no esporte ou especialidade que tenha escolhido.
Em resumo: os elementos constitutivos do treinamento desportivo são: equilíbrio físico, saúde e apogeu da força( dentro do esporte praticado). Se a estes elementos adicionarmos o que Paul Martin denomina “sentido profundamente social e humano”e se levarem em conta também as possibilidades de adaptação do treinamento desportivo e do impulso vital que pode proporcionar ( à juventude de uma nação , por exemplo), teremos então uma idéia clara do que é treinamento.

Princípios
Lei da adaptabilidade
Segundo o fisiólogo canadense Hans Selye, o organismo responde a cada estímulo mediante uma reação específica ( imunidade à infecção ou hipertrofia muscular nos exercícios prolongados, por exemplo) e mediante outra reação não específica e esteriotipada que se chama síndrome geral de adaptação
O mesmo Selye foi o introdutor do nome e do conceito de stress na literatura esportiva. Eva Gerald-Novak, doutora em medicina e tricampeã olímpica de natação, definiu corretamente o significado desta palavra: “O vocabulário stress, do inglês é praticamente intraduzível, equivalendo literalmente a força, peso, violência;e Selye o utilizou para designar todas aquelas incitações internas ou externas de caráter violento que desencadeiam a síndrome de adaptação, isto é, uma reação esteriotipada e não específica do organismo”.
Os agentes do stress podem ser de natureza variada:
- Física, como o frio ou o calor , as variações meteorológicas súbitas, os raios-X, os esforços musculares violentos.
- Psíquica, como as emoções fortes
- Tóxica, como as infecções.
Os agentes do stress estimulam as células do órgão ou dos órgãos interessados. Podem ocorrer estados patológicos durante a síndrome de adaptação sempre que o equilíbrio interno do organismo não fique assegurado ( V. Fattorusso e ºRitter)
Os estímulos podem ser:
- Externos, como o frio , o calor, as infecções ou a fadiga
- Internos, como as emoções, a tensão nervosa ou as preocupações

Tenha sempre presente que os exercícios desempenham também a função de agentes estimulantes. “Schtz e Arndt Alemanha) descobriram uma lei que determina a reação específica do organismo e que é enunciada assim:
“Até certo grau de intensidade o organismo não reage; quando ultrapassa esse nível, a reação é proporcional à intensidade do estimulante. No entanto, passado certo limite, o aumento da intensidade no estimulante produz uma diminuição da força de reação, diminuição esta que pode chegar a criar fenômenos de inibição e de defesa. O organismo vivo submetido a um exercício de intensidade crescente adapta-se progressivamente ao mesmo até suportar estimulantes nos limites fisiológicos de sua capacidade. Este surpreendente poder de adaptação foi sempre reconhecido e sobre ele se fundamenta o treinamento esportivo moderno.

José Carlos da Silva
Educador Físico –pós graduado em fisiologia do Exercício e Ciência do Treinamento Desportivo

2 comentários:

ACADEMIA 10 disse...

Oi Alberto. Legal o texto. Li por cima, pois estou no meu iphone e é muito ruim. Quando entrar na internet pelo computador, eu comento contiggo melhor.
Tudo bem contigo? E as novidades? Nós estamos nos EUA. Entra no meu blog para tu veres as fotos, provas.
Manda notícia.
Beijào
Sabine

Jorge disse...

Fala Vegano blz, muito boa a dica do treino, to passando por aqui para agradecer o apoio que sempre me de deu e desejar a vc e sua família um feliz natal e um próspero ano novo, abençoado por Deus e que em 2010, vc continue com esta força total.
um abraço

Jorge Cerqueira
www.jmaratona.blogspot.com

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