terça-feira, 18 de agosto de 2009

Assim foi Bombinhas by Harry Thomas Jr.

Gostei tanto do artigo do Harry e da maneira carinhosa como se referiu a minha pessoa (levantou minha bola), que eu resolvi postar o artigo do blog dele aqui no Overrunning:

Mais uma vez: Obrigado Harry!


Assim foi Bombinhas Publicado por HARRY THOMAS JR. em 17/08/09 às 11:45 na(s) categoria(s) Competições, Harry & Cia, Organização São Paulo - (the best...) -


Eram 6h45 da manhã quando terminei meu café e ao olhar a janela vi o céu abrindo, prenúncio, que o sol daria as caras. E assim aconteceu. Já na festiva largada, onde pouco à pouco meus amigos corredores começavam a chegar na praia de Bombinhas, o astral era o melhor possível. Cumprimentamos uns aos outros e fomos para as já tradicionais fotos da galera.
Deu 8h15 e largamos. Acredito que não se levou mais do que 30 segundos para todos atravessarem o pórtico. Na marca do 1 km iniciou a primeira subida. Subida essa, que se fosse em qualquer prova de rua, estaríamos escutando: “nossa que subida difícil!”. Mas fichinha para os bravos e bravas que subiram e desceram verdadeiras pedreiras. Como já sabia da dificuldade do percurso, decidi ir no ritmo mais conservador possível, porém, as dificuldades do percurso se mostraram muito mais duras do que imaginava. E o ritmo conservador passou a ser agora ritmo rápido. Comecei a corrida ao lado que uma das pessoas mais admiráveis que conheci esse ano, o Alberto Peixoto, que está numa fase excepcional, lastreado por várias maratonas concluídas esse ano, além, de uma Comrades. E assim fui com o Alberto até a marca do 7 km, quando então, ele me deixou para ir em busca do excepcional tempo de 4h45min. Nesta hora começou uma subida de dois quilômetros, com um grau de inclinação de aproximadamente 70%, que nos levaria ao Morro das Antenas. E, esse trecho era a que eu imaginava ser o mais difícil. Quanta inocência. O mais engraçado, é que no topo do morro eu acreditava que os quilômetros que faríamos lá seriam planos. Lego engano. A estradinha era constante sobe e desce, mas sempre no topo do morro.Lá pelo 12 km, iniciamos a descida de cerca 4 km por uma das partes que considerei a das mais difíceis. Uma trilha que tínhamos que correr em fila indiana, lamacenta e escorregadia. Nesta hora que percebi como é bom ter um tênis apropriado para trilhas como o Wave Ascend que estava usando (nota: a patrulha informo, aqui não é propaganda pelo apoio da Mizuno, e sim, uma constatação). Por diversas vezes senti que eu ia para o chão, mas, os grips do solado travavam o resvalão e o tombo não veio.

Chegamos à primeira praia: a da Lagoa, depois veio a do Cardoso (17 km), onde parei um pouco para me abastecer de isotônico, algo como quatro copinhos. E daí, vem à seqüência de praias sempre com o vento contra. Por volta do 20 km atravessamos um riozinho, e lá, as minhas meias antes sequinhas, se encharcaram, o que me garantiu duas pequenas bolhas.

Posto de meia-maratona, mais uma parada estratégica para tomar isotônico e comer frutas. Agora sim, a corrida começava. Entramos em nova trilha, da Tainha, que tem cerca de 3 km que subidas e descidas, ao final dela, lá estava o staff da fisioterapia. .

Ofereceram uma massagem e aceitei. Deitei na marca de madeira e fiz um bom alongamento. Feito isso, comecei a descer para a pequena e linda praia da Tainha, para então começar a subir, subir, subir. Na verdade, a subida fortíssima tinha cerca de 2 km (26 km), de onde podíamos para ver toda a baia de Bombinhas. Um visual espetacular!

Agora começávamos a descer, descer e descer. Emparelho com uma atleta e lhe ofereço água que estava sobrando na minha bolsa de hidratação. Ela aceita e adentramos juntos na longa seqüência de praia da Conceição e Mariscal. A areia dura facilita, mas em contra-partida o vento contra (forte) faz a tarefa ser bem difícil. Foi então que falo para ela: “estou com fome”. No que escuto “Eu tenho aqui algo para você”. E me estendeu uma deliciosa paçoca que fez a diferença.

Final da praia, adentramos, no asfalto para subir o morro do qual leva ao Mariscal. Na descida em cascalho – altura do 34 km - vem logo em seguida. Lá uma cena bacana. Vejo o farol da Vila do Farol, local da partida e chegada.

Vira daqui, vira dali, chegamos na praia de 4 Ilhas. Viramos a direita e fomos para o rochoso morro do Atalaya, com uma visão linda do mar. Passamos pelo posto de controle e retornamos a praia de 4 Ilhas. Nisto, um vai e vem de corredores. Comprimento vários que não conhecia. Num gesto de solidariedade em que estávamos “no mesmo barco”.

Olho para frente e vejo uma grande concentração de pessoas na praia olhando para o mar. A primeira coisa que pensei foi que havia um acidente com algum barco. Para então, olhar a direita e ver a uns 50 metros de distância uma baleia (parada) e seu filhote. Ali, não resisti e comecei a chorar. Juntou tudo: a primeira baleia (a gente nunca esquece), os 38 quilômetros mais difíceis da minha vida que já tinham ficado para trás.

Eu simplesmente agradecia a vida por estar vivenciando a primeira edição da maravilhosa e dura corrida ao lado da natureza. Neste momento eu tinha certeza que eu chegaria, mesmo sabendo que o pior trecho estaria por vir.

O diretor técnico da prova o César Rojes, havia me dito que o mais difícil trecho seria ali no 38km. Sinceramente, depois de passar pela subida e descida do Morro das Antenas e a surreal subida do Morro das Tainhas não conseguia imaginar, como algo poderia ser mais difícil.

A fechada e traiçoeira trilha e o perigoso costão de pedras me responderam a questão. Como podem observar, levei mais de 21 minutos para percorrer 1 km. Algo que jamais imaginei que pudesse acontecer.

Deixei a última pedra para trás, e agora faltavam somente dois quilômetros, por ruas com pequenas subidas e descidas. Entro em Bombinhas e visualizo o pórtico de chegada. Junto às forças que me restam para o sprint final.

Corro em um ritmo alucinante para os padrões que ate então vinha impondo, faltam 10 metros começo a gritar de prazer e êxtase, passa um rápido filme na minha cabeça, vem à imagem de Bruna, acho que tento mostrar para o fotógrafo a tatoo com o nome dela e cruzo a linha de chegada.

Feliz, anestesiado e maravilhado com todo o esforço que tive. Cumprimento alguns amigos e vou parabenizar o Juan Carlos Assef, o idealizar e organizador da corrida, e lha faço uma confissão:

“Enquanto eu tiver saúde para correr, com certeza estarei participando da K42 Bombinhas Adventure Marathon”.

Até o ano que vem, se Deus, quiser.

Um comentário:

BALEIAS disse...

Alberto, na carona do registro do Harry o cumprimento pela sua performance esse ano e também concordando que você é mesmo um cara legal. Quem ri muito geralmente é legal! Parabéns por Bombinhas. Ano que vem os Baleias estarão presentes e não perderão a oportunidade de abraçar as co-irmãs nas praias.
Até Foz e boa sorte nas provas até lá.
Miguel Delgado

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