Em 2002 uma nova metanálise realizada por Norat e colaboradores demonstrou que o aumento de 120 g de carne vermelha ingerida diariamente está associado com aumento em 24% do risco de câncer de intestino grosso (cólon e reto). O aumento de 30 g de carne processada (salames, presunto, lingüiça..) ingerida diariamente está associado com aumento em 36% do risco de câncer de cólon e reto.
Estudo de revisão científica (Kolonel, 2001) avaliando o consumo de carne (vermelha) e câncer de próstata demonstrou aumento do risco em mais de 30% em 15 de 21 estudos.
Mais recentemente (março de 2009), um artigo publicado na revista Archives of Internal Medicine demonstrou que a ingestão de carne vermelha está relacionada à maior prevalência de doenças cardiovasculares e de diversos tipos de cânceres. Nesse estudo, o consumo de menos de 20 gramas de carne por dia seria o preconizado. Essa conclusão foi fundamentada após acompanhar 332.263 homens e 223.390 mulheres. O registro de mortalidade por todas as causas foi estatisticamente significativo nas pessoas com maior ingestão de carne: 31% maior entre os homens e 36% maior entre as mulheres. Na avaliação de mortalidade por câncer, percebeu-se um aumento de 20% nos indivíduos com elevada ingestão de carne vermelha. No caso das doenças cardiovasculares, o aumento foi de 27% para os homens e 50% para as mulheres. Há diversas possíveis explicações para isso:
- a própria composição da carne (maior teor de gordura saturada e ferro heme)
- a formação de compostos durante o seu aquecimento (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, aminas heterocíclicas mutagênicas, mutagênicos N-nitroso), e os conservantes utilizados na preservação (nitritos).
A baixa ingestão de alimentos de origem vegetal (frutas, verduras, legumes, cereais integrais e feijões) contribui para aumentar o risco de diversas doenças.
O fato é que a população brasileira come mais carne do que deveria e isso tem impacto negativo sobre a saúde e sobre o meio ambiente. A iniciativa de não consumir nenhum tipo de carne, substituindo-a por alimentos de origem vegetal (feijões, cereais, frutas, verduras e legumes) por pelo menos um dia da semana é uma iniciativa que pode auxiliar positivamente a sua saúde.
Experimente novos sabores! Adote a segunda sem carne!
Dr Eric Slywitch - médico nutrólogo - coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira.






